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Blefaroplastia e olho seco: o que você precisa saber antes da cirurgia

Dra. Luísa Gross · 3/1/2026 · 11 min

Blefaroplastia e olho seco: o que você precisa saber antes da cirurgia

Entenda a relação entre blefaroplastia e olho seco, por que os sintomas podem piorar temporariamente após a cirurgia e quais cuidados ajudam a tornar o procedimento mais seguro e confortável.

A blefaroplastia é uma cirurgia muito realizada para tratar o excesso de pele e as bolsas de gordura das pálpebras, melhorando o aspecto de olhar cansado e, em alguns casos, até o campo de visão. Porém, uma dúvida muito comum entre os pacientes é: quem tem olho seco pode fazer blefaroplastia?

A resposta é: sim, pode , mas com alguns cuidados importantes.

A relação entre blefaroplastia e olho seco merece atenção porque as pálpebras têm um papel fundamental na proteção dos olhos, na distribuição da lágrima e na hidratação da superfície ocular. Por isso, antes de operar, é essencial avaliar a qualidade da lágrima e a saúde da superfície dos olhos.

A blefaroplastia pode piorar o olho seco?

Sim, a blefaroplastia pode piorar os sintomas de olho seco em alguns pacientes, principalmente nos primeiros dias ou semanas após a cirurgia.

Isso acontece porque, logo após o procedimento, é comum haver inchaço nas pálpebras. Esse edema pode dificultar temporariamente o fechamento completo dos olhos, aumentando a exposição da superfície ocular e favorecendo a evaporação da lágrima.

Com isso, o paciente pode sentir:

ardência;

ardência;

sensação de areia nos olhos;

sensação de areia nos olhos;

vermelhidão;

vermelhidão;

lacrimejamento reflexo;

lacrimejamento reflexo;

desconforto ao piscar;

desconforto ao piscar;

sensibilidade ao vento ou à luz;

sensibilidade ao vento ou à luz;

sensação de olho cansado.

sensação de olho cansado.

Na maioria dos casos, esses sintomas são temporários e melhoram com a redução do inchaço e a recuperação da cirurgia.

Por que as pálpebras influenciam tanto no olho seco?

As pálpebras não servem apenas para abrir e fechar os olhos. Elas têm funções muito importantes para a saúde ocular.

Ao piscar, as pálpebras espalham a lágrima sobre a superfície dos olhos, ajudam a proteger a córnea e contribuem para manter a hidratação adequada.

Quando a pálpebra é operada, mesmo que de forma delicada e bem planejada, essa dinâmica pode mudar temporariamente. O piscar pode ficar um pouco alterado, o fechamento dos olhos pode não ser tão completo nos primeiros dias e a superfície ocular pode ficar mais exposta.

Esse conjunto de fatores pode favorecer o ressecamento ocular, especialmente em quem já tinha olho seco antes da cirurgia.

A lágrima não é só água

Uma informação importante é que a lágrima não é composta apenas por água. Ela possui diferentes camadas, que precisam estar equilibradas para manter o olho confortável e protegido.

De forma simplificada, a lágrima tem:

uma camada aquosa;

uma camada aquosa;

uma camada de muco;

uma camada de muco;

uma camada oleosa.

uma camada oleosa.

A camada oleosa é produzida pelas glândulas de Meibômio , que ficam dentro das pálpebras e desembocam na margem palpebral.

Essa camada de óleo funciona como uma proteção, impedindo que a lágrima evapore rápido demais. Quando as glândulas de Meibômio não funcionam bem, a lágrima fica mais instável e evapora com facilidade, causando sintomas de olho seco.

Por isso, alterações nas pálpebras e nas glândulas palpebrais podem influenciar diretamente na qualidade da lágrima.

Inflamação e olho seco após a blefaroplastia

Toda cirurgia gera uma resposta inflamatória natural do organismo. Essa inflamação faz parte do processo de cicatrização.

Após a blefaroplastia, essa resposta inflamatória pode afetar temporariamente a superfície ocular e a qualidade da lágrima. Durante esse período, algumas substâncias inflamatórias podem deixar a lágrima mais instável, favorecendo a evaporação e aumentando os sintomas de ressecamento.

Na maioria dos pacientes, essa inflamação diminui com o tempo e os sintomas melhoram ao longo das semanas ou meses.

Em pacientes que já tinham olho seco antes da cirurgia, porém, os sintomas podem ser mais intensos e durar mais tempo, porque a superfície ocular já estava mais sensível e inflamada antes do procedimento.

A cirurgia pode afetar os nervos da córnea?

Em alguns casos, a blefaroplastia pode alterar temporariamente a sensibilidade da córnea, que é a camada transparente localizada na parte da frente do olho.

Isso não significa que a cirurgia corte ou danifique diretamente os nervos da córnea. O mecanismo costuma ser indireto.

Com o inchaço das pálpebras, alteração temporária do piscar, maior exposição ocular e inflamação da superfície do olho, os nervos da córnea podem ficar mais irritados ou sensíveis.

Na maioria dos casos, essa alteração é temporária e melhora conforme o processo inflamatório se resolve.

Raramente, alguns pacientes podem desenvolver sintomas mais persistentes, como ardência intensa, queimação, sensibilidade ao vento ou à luz, mesmo quando os exames não mostram uma alteração importante na superfície ocular. Nesses casos, pode haver um componente de dor neuropática ocular , que exige avaliação e tratamento específicos.

Quem tem maior risco de olho seco após a blefaroplastia?

Os pacientes com maior risco são aqueles que já apresentam olho seco antes da cirurgia.

Isso acontece porque a superfície ocular já está mais fragilizada, com lágrima instável, inflamação e maior sensibilidade. A cirurgia, nesse contexto, pode funcionar como um estresse adicional.

Também podem exigir mais atenção pacientes com:

blefarite;

blefarite;

disfunção das glândulas de Meibômio;

disfunção das glândulas de Meibômio;

histórico de terçol ou calázio recorrente;

histórico de terçol ou calázio recorrente;

uso frequente de telas;

uso frequente de telas;

uso de lentes de contato;

uso de lentes de contato;

doenças autoimunes;

doenças autoimunes;

menopausa;

menopausa;

uso de alguns medicamentos que reduzem a produção lacrimal;

uso de alguns medicamentos que reduzem a produção lacrimal;

sintomas prévios de ardência, areia ou ressecamento ocular.

sintomas prévios de ardência, areia ou ressecamento ocular.

Por isso, a avaliação oftalmológica antes da cirurgia é tão importante.

O que deve ser avaliado antes da blefaroplastia?

Antes da blefaroplastia, além de avaliar o excesso de pele, bolsas de gordura e anatomia das pálpebras, também é importante examinar a superfície ocular.

Essa avaliação pode identificar sinais de olho seco, inflamação, blefarite ou alteração das glândulas de Meibômio.

Quando o olho seco é diagnosticado antes da cirurgia, é possível iniciar um tratamento preventivo para preparar melhor a superfície ocular e reduzir o risco de desconforto no pós-operatório.

Esse preparo pode incluir:

colírios lubrificantes;

colírios lubrificantes;

lubrificantes sem conservantes;

lubrificantes sem conservantes;

pomadas ou géis lubrificantes;

pomadas ou géis lubrificantes;

higiene palpebral;

higiene palpebral;

compressas mornas;

compressas mornas;

colírios anti-inflamatórios em alguns casos;

colírios anti-inflamatórios em alguns casos;

pomadas com antibiótico e corticoide, quando indicado.

pomadas com antibiótico e corticoide, quando indicado.

O tratamento varia conforme os sintomas, os achados do exame e o grau de inflamação da superfície ocular.

Quem tem olho seco não pode fazer blefaroplastia?

Pode, sim.

Ter olho seco não significa que a blefaroplastia está proibida. Significa apenas que o caso precisa ser conduzido com mais cuidado.

O ideal é tratar a superfície ocular antes da cirurgia, orientar o paciente sobre os sintomas que podem aparecer no pós-operatório e manter acompanhamento mais próximo durante a recuperação.

Quando o olho seco é identificado e tratado adequadamente, a cirurgia tende a ser mais segura e confortável.

O que usar no pós-operatório?

No pós-operatório da blefaroplastia, é comum o uso de lubrificantes oculares para proteger a superfície dos olhos e reduzir o desconforto.

Em geral, podem ser prescritos:

colírios lubrificantes sem conservantes;

colírios lubrificantes sem conservantes;

gel lubrificante à noite;

gel lubrificante à noite;

pomadas lubrificantes em alguns casos;

pomadas lubrificantes em alguns casos;

medicações anti-inflamatórias específicas, se necessário;

medicações anti-inflamatórias específicas, se necessário;

cuidados com higiene palpebral, conforme orientação médica.

cuidados com higiene palpebral, conforme orientação médica.

Os lubrificantes sem conservantes são muito úteis porque podem ser aplicados com maior frequência, oferecendo mais conforto aos olhos durante a recuperação.

É fundamental seguir a prescrição médica e não usar colírios por conta própria, especialmente aqueles que contêm corticoide ou antibiótico.

O olho seco melhora depois da cirurgia?

Na maioria dos casos, sim.

Os sintomas de olho seco após a blefaroplastia costumam ser temporários e tendem a melhorar conforme o inchaço diminui, o piscar normaliza e a superfície ocular se recupera.

Em muitos pacientes, a melhora ocorre nas primeiras semanas. Em outros, especialmente aqueles que já tinham olho seco antes da cirurgia, a recuperação pode levar mais tempo, podendo se estender por alguns meses.

Curiosamente, em alguns casos, a blefaroplastia pode até contribuir para melhora dos sintomas a longo prazo, principalmente quando o excesso de pele estava pesando sobre as pálpebras e atrapalhando o piscar adequado.

Conclusão

A blefaroplastia é uma cirurgia excelente quando bem indicada, tanto para fins estéticos quanto funcionais. No entanto, a relação entre pálpebras, lágrima e superfície ocular precisa ser respeitada.

Pacientes com olho seco podem realizar blefaroplastia, mas precisam de avaliação cuidadosa antes da cirurgia, preparo adequado da superfície ocular e acompanhamento no pós-operatório.

O mais importante é entender que cada caso é único. Se você tem olho seco, ardência, sensação de areia, lacrimejamento ou desconforto ocular, converse com seu cirurgião antes do procedimento. Esse cuidado faz toda a diferença para uma recuperação mais segura, confortável e previsível.

Ficou com dúvidas sobre blefaroplastia e olho seco: o que você precisa saber antes da cirurgia? Fale diretamente com a Dra. Luísa Gross.

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